edição nº 68 -
 
 
 

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Por Carlos Ferreirinha

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O dilema do momento: Massificar ou não, eis a questão?

Divulgação
Jaguar XJ, modelo lançado no
Brasil em abril deste ano.

Seguramente, o termo MASSTIGE - que vem da combinação precisa de MASSA e PRESTÍGIO ou seja 'PRESTÍGIO para as MASSAS', é uma excelente estratégia contemporânea do comportamento do consumo do Luxo. Em alguns momentos estamos falando de novas marcas - o novo Luxo, que possivelmente muitos destes produtos não traduzam completamente a tradição da marca, mas fala e supre os desejos de quem o adquire pelo simples fato de todo o processo ser trabalho com o "modus operantis" do segmento do Luxo. Entretanto, o efeito MASSTIGE tem sido usado por marcas tradicionais de Luxo internacionais.

Massificar o Luxo talvez seja a conseqüência de toda essa transição pelo qual o mundo passa.. O Luxo nunca foi tão valorizado, mas ele precisou também renovar-se, inventar-se... Massificar talvez fosse uma idéia abominada há algumas décadas atrás pelos proprietários das maisons, por outro lado isso se fez necessário. O Luxo historicamente foi sempre para poucos... sempre esteve associado diretamente à Aristocracia... O mundo mudou, o dinheiro mudou de mão, novos comportamentos de consumo surgiram, o mundo está rápido, o consumo está focado em sensações e emoções, não mais em produtos! Estamos seguramente em um novo tempo - em uma nova Era! O Luxo precisava acompanhar este momento. O Luxo virou segmento expressivo de negócios e para isso, sua base de consumo e acesso teve que ser aumentada, fomentada e potencializada.

Nestes novos tempos de consumo e conhecimento do Luxo, uma nova vertente de estratégias foi sendo criada para os lançamentos dos produtos e serviços: inacessibilidade, intermediário e acessibilidade. As empresas podem e devem conseguir trabalhar este comportamento de consumo ou quem sabe até este "novo cliente" com esta diversificação, oferecendo à ele experiências distintas, níveis de acesso distintos.

Trata-se da Era do Marketing do LUXO!

Não podemos esquecer que: "Os homens são iguais diante da necessidade e diante do princípio da satisfação!"

A Ford vive este dilema atualmente! As vendas do tradicional ícone britânico do Luxo - o Jaguar, estão aquecidas e em alta no mundo todo, inclusive no Brasil. O ano de 2003, aproximadamente 130 mil unidades foram comercializadas no mundo, o que representa um aumento de cerca de 30% em relação aos últimos anos. Entretanto, um problema de câmbio entre a moeda libra esterlina e o dólar americano, fez com que este aumento de produtividade, não estivesse sendo traduzido em lucratividade. Decisão tomada: recuo da Ford - diminuição da produção destes maravilhosos ícones de consumo. Que fantástico seria se todas as decisões de gestão fossem por estas razões!

Ao tomar esta decisão, a Ford se defronta com o questionamento dos admiradores mais tradicionais da marca Jaguar. Para eles, a marca britânica jamais poderia ter tomado a decisão de massificar a marca que em outrora, era somente aristocrática! Ou seja ponto para a Ford neste momento! Até quando?

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