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Por Silvio Passarelli
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Do adjetivo ao substantivo
Boatos. O Brasil é o país dos boatos e suas mais exóticas manifestações: fofocas, rumores, informações não confirmadas etc.
Quando a Daslu inaugurou a sua nova e luxuosa sede, os "boateiros" de plantão, excitados pela cobertura multimídia nacional que o evento proporcionou, se anteciparam aos fatos e iniciaram uma bizarra produção de "informações" de gosto e autenticidade duvidosos.
Alguns falavam do risco da operação, que conjugava uma ampliação de instalações com mudança de endereço. Ingredientes que, para estes, seriam explosivos e colocariam todo o empreendimento sob rigoroso risco.
Outros, contavam estórias fantasiosas, a mais bem acabada, que me chegou aos ouvidos, dava conta de um cidadão de origem árabe que, de helicóptero em punho, havia levado parte de seu harém para uma seção privê no empreendimento. E depois de gritinhos e muxoxos, teria preenchido um cheque de US$ 20. milhões. Seria cômico se não fosse trágico, pela pobreza de não saber sequer trabalhar com a ordem de grandeza dos números.
Outros ainda, os mais perigosos, reproduziam estórias sobre informações confidenciais do planejamento de novos empreendimentos no seguimento. Só eu ouvi três. Uma falava de um empreendimento de capital estrangeiro nas imediações do Hotel Transamérica, outra falava de um comércio vertical, 20 andares, na região do Morumbi e o último, o mais exótico, localizava o mega empreendimento na região de Vinhedo, criando assim como uma 'Disney do Luxo'.
Não se trata aqui de discutir as fofocas, os boatos e as mentiras. Trata-se, sim, de criar um consenso básico de informações para permitir que os interlocutores de boa fé consigam fazer a leitura que permita separar o joio do trigo, como já ocorre em outros setores da economia.
O segmento de Luxo é muito recente no Brasil. Os anos de fechamento, como subproduto de uma política econômica pautada pelo contingenciamento das importações e a utilização do câmbio como variável de estabilização, trouxeram um retardamento na inserção do país no mundo globalizado. Ainda hoje, apesar do discurso liberal assumido pelos governantes, assistimos a manutenção de um conjunto de preceitos, paradigmas e normas que impedem uma maior abertura da economia brasileira.
Isto não impede, no entanto, que possamos projetar taxas de crescimento médio para o setor, na próxima década, muito superiores (pelo menos o dobro) das taxas médias de crescimento da economia.
Mas isto, por si só, não justifica nem explica esta euforia contida nos boatos. Tentar reproduzir uma Daslu em cada canto da cidade é uma atitude irresponsável, que desconhece a longa e sólida trajetória que esta marca teve em nossa cidade.
Para concluir eu gostaria de fazer um apelo aos empresários que pretendam investir no segmento: Tratem o Luxo como um segmento de negócios como outro qualquer. Realizem pesquisas, executem planos de negócios consistentes, estabeleçam uma estratégia gradual de implantação pois, só assim, estarão contribuindo decisivamente para substantivar este importante segmento de negócios.
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