Por Silvio Passarelli

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Mais juros, até quando?

No momento em que a economia brasileira apresentava os primeiros sinais de recuperação e o sonho de um crescimento econômico sustentado saía dos escaninhos mais profundos da memória para vir à luz, o COPOM, Comitê de Política Monetária do BC resolve pisar mais fundo no acelerador das taxas de juros e, pela quinta vez consecutiva, eleva a taxa Selic em mais 0,5 ponto percentual.

Um remédio amargo para prevenir algo que até agora não passava de uma pálida ameaça: a inflação de demanda.

Se observarmos os comportamentos dos últimos anos, os meses de janeiro, fevereiro e março (depende da localização da semana do Carnaval) são pobres em pressão de demanda, principalmente no varejo. As promoções e liquidações de um lado e o acúmulo de taxas e impostos de outro se encarregam de esfriar o consumo e afastar qualquer possibilidade de deslocamento significativo da demanda.

Se a inflação de demanda não era uma ameaça qual foi o motivo que levou o BC a manter o aumento da Selic? As opiniões são várias, mas ganharam força nas últimas semanas as versões dando conta das dificuldades enfrentadas pelo governo em "rolar" uma dívida interna que já ultrapassa os R$ 800 bilhões.

Como uma parcela significativa desta dívida é de curto prazo, obrigando o governo a freqüentar o mercado de títulos com grande assiduidade, somos forçados a admitir que a política monetária começa a apresentar sinais de esgotamento (afinal, já praticamos uma das maiores taxas de juros do mundo). Esta situação deverá obrigar o governo a temperar sua política econômica com doses crescentes de política fiscal e cambial, o que certamente colocará o crescimento da economia de quarentena.

Para o segmento dos bens de Luxo interessa a manutenção de taxas de inflação civilizadas (4 a 5% a.a.), crescimento econômico sustentado e, principalmente, uma política de câmbio consistente de forma a permitir planos de médio e longo prazos.

Os próximos seis meses serão decisivos para que possamos enxergar um horizonte mais longo e responder a questão sobre a sustentabilidade do crescimento.

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