Por Silvio Passarelli

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Luxo: Um negócio para gente de todo o tamanho

Durante muitos anos, como consultor, atendi preferencialmente o segmento das pequenas e médias empresas.

Foram mais de duas mil e quinhentas empresas em quase dez anos de atividade. Estava tudo registrado num pacote de disquetes quando, inesperadamente, ao ser visitado pelos "amigos do alheio" fiquei sem o meu tesouro.

Hoje, dependo basicamente da memória para reconstruir um pouco daquele passado.

Neste momento estou tentando recordar quantas, das mais de duas mil e quinhentas empresas, atuaram ou pretendiam atuar na segmentação do Luxo. Ainda não consegui encher os dedos de uma mão, o que permite concluir que o Luxo não está sendo acessível aos pequenos empresários.

Descaminhos desta pedagogia do empreendedorismo, que parece estar focada apenas em estimular futuros empreendedores a montar pequenos negócios de chinelos caseiros, fraldas descartáveis, velas e artesanato. Nada contra as supracitadas atividades, apenas o registro de um protesto contra o caráter monolítico do procedimento.

O segmento do Luxo comporta empreendimentos de todos os tamanhos, em todas as fases do processo. Se considerarmos que os principais valores do Luxo são: tradição, qualidade, design, marca, artesania e atendimento, poderemos concluir que, excetuando-se a tradição, que no Brasil poucos possuem, um pequeno negócio pode, perfeitamente, competir com um negócio de maior porte em condições competitivas melhores do que as apresentadas no segmento dos bens de massa.

O problema é que, para empreender no Luxo, o grande obstáculo não se encontra na tecnologia, no capital, na escala produtiva ou na logística de transporte. O grande obstáculo, muitas vezes, está solidamente implantado na cabeça do empreendedor: a deficiência cultural. E contra este problema não existe remédio de curto prazo.

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