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Por Silvio Passarelli
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O que será o amanhã?
Na medida em que nos aproximamos do final do ano crescem as expectativas em relação à divulgação dos índices de desempenho da economia. Agora, chegou o momento do ajuste final. Todos os que fizeram as suas previsões torcem para que os três índices mensais que ainda faltam corroborem suas previsões. Afinal, acerto de previsões significa credibilidade, e credibilidade significa novos contratos.
Parece um espetáculo pirotécnico. Alguns artefatos fazem pouco barulho, mas são muito coloridos, outros, proporcionam um pequeno efeito plástico, mas são muito ruidosos.
O IBGE acaba de divulgar que o emprego industrial cresceu 0,9% em agosto, pelo 4.º mês consecutivo. Isto seria bom se os realizadores da política econômica não afirmassem que a taxa de juros pode voltar a crescer, para derrubar esta fase de crescimento da economia que pode levar a um aumento da inflação.
Como se pode perceber, as autoridades econômicas parecem dispostas a manter a economia "engessada" a qualquer preço e nem as conseqüências positivas de um aquecimento parecem sensibilizar o governo para a aventura de pisar um pouco no acelerador dos negócios.
Uma coisa parece preocupante. O emprego industrial acumulou um crescimento 2,6% nos últimos 4 meses. Já a massa de salários recuou 0,3%, dando a impressão que os salários reais apresentam tendência de queda.
Para o segmento do Luxo, estas pequenas oscilações macroeconômicas não são muito significativas. Pelas especificidades do segmento, para que se possa obter um horizonte de previsões sobre mudanças significativas na demanda, necessitaríamos obter alguma boa notícia em alguma destas áreas: a) Mudança na política cambial (muito pouco provável); b) Mudança nas alíquotas de importação; c) Atualização das tabelas do IR; e d) Política de juros mais consistente.
Por paradoxal que possa parecer, o segmento do Luxo depende, para manter taxas de crescimento sustentadas, do fortalecimento da classe média, que no Brasil se encontra na UTI há vários anos.
Não existe nenhuma nação dinâmica que não possua uma classe média forte e em crescimento. Adiar indefinidamente a retomada de um crescimento sustentado pode ser a reedição do caso clássico do remédio que acaba matando o doente.
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