Por Silvio Passarelli
Diretor da Faculdade de Artes Plásticas

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Olimpíadas

Muito se tem falado sobre o consumo de Luxo no mundo e, mais recentemente, no Brasil.

O universo do Luxo, representado por mais de três dezenas de segmentos, encanta e fascina todos os consumidores, mesmo aqueles que por razões econômicas não freqüentam o segmento com assiduidade.

Poucos, no entanto, falam sobre a cultura e o comportamento do Luxo. Nunca é demais lembrar que, sem um apurado entendimento sobre os aspectos culturais e comportamentais que cercam a demanda de bens e serviços de Luxo, jamais conseguiremos entender a demanda por Luxo.

Estarei episodicamente freqüentando as páginas do informativo "Gestão do Luxo" e, nestas oportunidades, lançando breves reflexões sobre os supracitados aspectos, iniciando um instigante diálogo com os leitores que nos honram com sua atenção.

Quando nos momentos finais da prova da maratona Olímpica, a mais importante competição dos jogos, o atleta brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que vinha liderando folgadamente a prova, foi violentamente derrubado por um fanático religioso, assistimos uma das mais eloqüentes manifestações daquilo que chamei "comportamento de Luxo". Ajudado por um expectador, assustado, o nosso Vanderlei seguiu em frente e conseguiu chegar ao honroso terceiro lugar.

Mais impressionante ainda foram suas declarações. Não se lamentou, não reclamou do ocorrido, perdoou o "desequilibrado" e ainda por cima enalteceu o feito histórico e mostrou-se feliz pelo bronze que ostentava.

Humildade? Não apenas. Arrisco dizer que além de uma cavalar dose de humildade, Vanderlei exibiu uma nobreza e uma serenidade sem precedentes. Isto tocou a todos que perceberam que um grande campeão não se mede pela coloração de uma medalha mas, sim, pelo conjunto de seus comportamentos.

Isto é o verdadeiro Luxo.

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