Por Rubens Panelli - Diretor do Grupo Executives

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A carência de Executivos no mercado do Luxo

No Brasil essa segmentação de mercado, ainda em fase embrionária, já começa a despontar com contornos promissores, a ponto de gerar uma demanda inusitada sobre executivos e profissionais, ainda que os resultados dos últimos anos não tenham sido tão estimulantes. A nosso ver, um dos fatores que vem contribuindo para essa maior demanda, é a busca de modelos profissionalizados de gestão, tendo em vista a necessidade de defesa da garantia de retorno dos altos investimentos requeridos, especialmente na área de produtos e de lojas (desenvolvimento de coleções e importação, instalações e montagens sofisticadas, alto custo da propaganda, etc.). Por outro lado, o crescimento do "varejo de moda", especialmente na área do vestuário e de assessórios, disseminou o consumo de grifes, popularizando largamente o hábito do consumo de "marca". Assim sendo, o negócio do Luxo, tradicionalmente elitizado, passou a ser visualizado por maior volume de consumidores potenciais, simplesmente por conseqüência do desejo crescente pela qualidade e exclusividade. Observamos hoje a existência de três níveis de varejo: o de consumo massivo, caracterizado pelas grandes redes de lojas, tais como C&A, Riachuelo, Pernambucanas, Renner, e outras; o de consumo de moda (grifes), com redes menores, tais como Fórum, M'Oficer, Zoomp, Cori, Luigi Bertoli, TNG, Arezzo, e outras: e, finalmente o mercado de Luxo e alto preço, com lojas estrategicamente localizadas, tais como Daslu, Louis Vuitton, Empório Armani, Gucci, Dior, etc. Este cenário indica claramente a evolução do mercado consumidor na direção de um consumo mais exigente e sofisticado, que caracteriza a necessidade humana da auto-realização através da prática do consumo de bens e serviços da melhor qualidade possível.

Essa tendência, que é irreversível, passa a esbarrar numa carência natural do Brasil, qual seja a de profissionais competentes. O paradoxo que enfrentamos hoje (altos índices de desemprego/demanda crescente por competências), na maioria dos segmentos de negócios, é sensivelmente mais agudo na área de varejo de moda e de Luxo. Não houve tempo hábil para desenvolvimento de especialistas e ou executivos competentes, muito menos formação acadêmica que pudesse suprir tal demanda.

Nos processos de contratação de executivos e profissionais especialistas que temos conduzido, deparamo-nos com carências técnicas e de perfil de personalidade comportamental, que somente serão superadas mediante escolarização especializada. O domínio de técnicas de planejamento, controle e operacionais não é em si suficiente, sem que haja uma complementariedade comportamental e de cultura geral, adequada ao nível de exigência do mercado consumidor. O consumo, cada vez mais torna-se uma oportunidade de auto - realização (hedonismo), transformando a tradicional imagem de "loja" num verdadeiro "refúgio de prazeres", onde encontraremos a solução desejada, porém ainda não identificada, seja para vestuário, adorno, complemento, alimento, bebida, perfumaria, etc., etc. Para tanto, o atendimento nesse ambiente é muito mais "consultivo" do que "vendedor" e, longe de ser servil, deve ser orientativo e técnico, devendo suplantar a expectativa do cliente, mediante uma relação culturalmente nivelada. Verifica-se, portanto, que a gestão desse novo negócio é complexa em todos os níveis, requerendo preparo diferenciado e cultura globalizada.

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