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Por Angela Klinke
Editora de consumo e comportamento do jornal Valor Econômico e da revista Estampa, aluna da primeira turma do MBA Gestão do Luxo.
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O poeta José Paulo Paes traduziu o lazer como o espaço que separa o Fusca da televisão. E o Luxo, cabe em que limites? Entre o supérfluo e a necessidade? Entre a bolsa e a fatura do cartão de crédito? Qualificar o Luxo é tão difícil quanto quantificá-lo. Talvez seja mais fácil ao poeta que ao jornalista. Não sei responder qual o tamanho desta indústria no país. E duvido que alguém saiba. As grifes da terra e as que aqui se instalam não fornecem nem resultados, nem projeções. Quando muito divulgam uma idéia de crescimento. Muitas cumprindo uma decisão da matriz. Outras para ficar mesmo numa faixa misteriosa, em que ninguém possa descobrir se elas são muito maior ou quem sabe, bem mais tímidas, do que se imaginava.
Então a imprensa fica sempre embasbacada quando mais uma loja de produtos de Luxo abre no país. Quantas mais virão? Carlos Ferreirinha, coordenador do MBA Gestão do Luxo da FAAP, aposta que ainda estamos engatinhando, que só começamos nesta área. Podemos então prever que muitas mais pretendem erguer sua bandeira por aqui. O setor irá assim ganhar cada vez mais músculos e representatividade. Como dispor do ferramental para entender e produzir uma cobertura adequada? Sair da faixa do deslumbramento é um primeiro passo. São empresas que lidam com o sonho, com a excelência e com preços em patamares bem mais altos. Mas também escolhem ponto, treinam funcionários, lidam com burocracia na alfândega, cuidam de estoque e distribuição.
Por outro lado, com a profissionalização do mercado - o MBA e o Comitê das Marcas de Luxo são indicativos deste movimento - as empresas poderiam adotar uma postura mais transparente, municiando a opinião pública com seus números e suas verdadeiras propostas de expansão. É preciso seriedade para ser tratado com seriedade. Talvez o desprezo e o preconceito com que muitos jornalistas, intelectuais e consumidores tratam o setor pudesse ser revertido com informação. A demonstração de comprometimento em gerar empregos e receita deixariam claro sua importância para a economia nacional como várias outras indústrias.
O Centro de Pesquisa e Documentação do Luxo, que está sendo criado pela FAAP, será um marco neste processo.
Além de reunir dados e mapear a indústria do Luxo no país, ele será um gerador de conteúdo, de reflexão e de treinamento. Madame Chanel dizia que o Luxo não é contrário da pobreza, mas sim da vulgaridade. A exclusividade é uma qualidade do Luxo, mas não é um determinante do saber sobre o Luxo.
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