EXCLUSIVO

Organizado pelo jornal britânico International Herald Tribune, a 4ª edição da Conferência Mundial do Luxo - Luxury 2004: The Lure of Ásia - aconteceu em Hong Kong, durante os dias 1º e 2 de dezembro de 2004.

Suzy Menkes, renomada editora do IHT, presidiu a Conferência e convidou Bernard Arnault, todo poderoso do grupo LVMH, para fazer a palestra inaugural. Já é tradição do Evento ter nomes importantes do mercado como convidados de honra e responsáveis por fazer a primeira apresentação. Em 2001, no 1º encontro, foi a vez de Tom Ford abrir o ciclo de palestras. Ralph Lauren inaugurou a 2ª Conferência, em 2002 e Giorgio Armani foi o responsável pela abertura da 3ª edição, em dezembro de 2003.

O evento deste ano contou com apresentações de prestigiosos executivos do segmento de Luxo, como Umberto Angeloni, CEO da Brioni; Patrizio Bertelli, CEO do Grupo Prada; Christian Blanckaert, CEO da Hermès; Alber Elbaz, principal estilista da Lanvin; Matteo Marzotto, Diretor de Operações da Valentino S.p.A / Grupo Marzotto ; Rosita Missoni, fundadora e designer da Missoni S.p.A.; Miuccia Prada, estilista da Prada; Paul Smith, presidente da Paul Smith Ltd.; David Tang, fundador e diretor da Shanghai Tang e Santo Versace, presidente e CEO da Gianni Versace S.p.A.

Esta Conferência visou discutir o futuro do segmento de Luxo no mundo, refletir sobre as dificuldades que esta indústria enfrenta e, principalmente, analisar as imensas oportunidades do Mercado Asiático.

O Coordenador do Programa Gestão do Luxo, Carlos Ferreirinha, estava presente neste Evento e conta, com exclusividade para o site, as grandes novidades internacionais.

Resumo da Conferência - Luxury 2004: The Lure of Ásia - 1ª parte
Por Carlos Ferreirinha, de Hong Kong

A realização da Conferência Internacional do Luxo - que é organizada pelo International Herald Tribune / New York Times e coordenada e idealizada pela super Suzy Menkes - não poderia ter tido sua quarta edição em melhor País: China!

A importância da China no cenário do segmento do Luxo foi extremamente acentuada agora no ano de 2004! Um sucesso! Um estrondo de crescimento! Todas as marcas estão trabalhando e, caso nada se altere, a China poderá nos próximos 20 anos se tornar o grande mercado consumidor de produtos e serviços de Luxo. O que acontece em Shangai e Pequim é de assustar... a evolução de Hong Kong no cenário de Luxo impressiona!

Por que fazer então esta Conferência - que acontece tradicionalmente na França / Paris, ou seja, berço mundial do Luxo - em Hong Kong?

- Conseguirá a China, além de se tornar o mercado mais promissor de consumo de Luxo no mundo, também se tornar a principal produtora? Considerando que este País é a fábrica mundial, poderá também ser a fábrica mundial do Luxo?

- Como lidar com o paradoxo de que o mercado mais promissor de consumo de Luxo é também o maior mercado mundial de falsificação destes mesmos produtos? O que fazer? Como combater? A indústria de falsificação da China e países ao redor, em todos os setores e no Luxo em foco neste momento, alcança índices alarmante.. Talvez a falsificação seja um dos aspectos que mais chamou minha atenção nestes dias na China e também em minha viagem de pesquisa pela Tailândia e Indonésia. Ruas e ruas... lojas e lojas... mini-shoppings inteiros dedicados exclusivamente à falsificação! Impressionante!

- Como lidar com a ansiedade de consumo de Luxo de um dos mais populosos Países do mundo versus o risco contínuo de banalização das marcas? Até onde estas marcas podem expandir seus negócios? Vamos considerar a informação da LVMH. Bernard Arnault, em seu speech de abertura, afirma que a corporação espera dobrar os resultados (lucratividade) na região em apenas cinco anos. Mas, Ferrucio Ferragamo da marca Salvatore Ferragamo, foi preciso ao afirmar que eles estão sim com um olho no mercado mas também com um olho na imagem!

- Será a China também a principal fonte de inspiração e possível influência no desenvolvimento de produtos de Luxo? A Hèrmés afirmou em sua apresentação que a China será uma grande fonte de informação para a marca.

Estas são algumas das questões principais que fizeram com que o IHT/NT e Suzy Menkes tomassem a sábia decisão de fazer a Conferência em Hong Kong!

Mas por que então 20 anos?
Por que Luxo tem a ver com tempo!
A Ásia lida bem com o tempo... cultura milenar...
Uma das prerrogativas assumidas por Arnault quando diz que o lucro da LVMH dobrará em cinco anos nesta região é porque, segundo ele, as empresas do grupo investiram o apropriado tempo nas marcas e agora elas contam com vantagem competitiva de resultados.

A conferência chamou a atenção por muitas razões! Todas muito peculiares e especiais!

No ano passado, a discussão principal do encontro era como este segmento tinha sofrido nestes últimos anos, como os resultados estavam muito comprometidos e como era importante perceber que se trata de um mercado que sofre fortemente com as crises mundiais, sejam elas quais forem.

Os números de resultados de 2004 estão ótimos! Em geral todas as empresas e marcas estão apresentando resultados excelentes e perspectivas melhores ainda para 2005. Ou seja, este ano foi importante também perceber o quão rápido este mercado pode se desenvolver e superar as crises - em tempos de exigente profissionalização e cuidado assombroso com custos. Nunca se viu tanta contratação de executivos de mercado, principalmente do mercado de consumo de Luxo. E parece estar dando resultados.

Enquanto grupos como a LVMH se orgulham em sempre divulgar a quantidade de abertura de lojas das marcas do grupo, empresas como Hermés já alfinetam dizendo que não acreditam que o Luxo deveria ser medido pela quantidade de lojas. A Hermés, segundo o seu executivo Christian Blanckaert´s, acredita que Luxo tem a ver com a habilidade de tocar o coração dos clientes e não com a quantidade de lojas que a marca possui. Sópara ilustrar: uma marca como a Louis Vuitton está alcançando o número de 400 lojas diretas e próprias enquanto a Hermés não chegou a 40 lojas. Isso sem falar na Burberry! Possivelmente, depois de Gucci, o mais fascinante trabalho de renascimento e novo posicionamento de uma marca do Luxo (dúvida: ele está se referindo à Burberry nesta última frase?). O crescimento é mais do que isso, o boom hype de Burberry traz os mesmos questionamentos: será que é muito (não consegui entender o sentido desta frase)?

Não! Não é! Para quem se mantinha adormecido há 100 anos... é preciso ousar... mas, sem dúvida em algum momento muitas destas marcas precisarão rever conceitos, modelos, estratégias!

A "saia-justa" da Conferência ficou com a dúvida: afinal quem é o Imperador do Luxo? Suzy Menkes em seu discurso de apresentação de Bernarda Arnault o chamou de "O Último Futuro Imperador do Luxo". -Entretanto, ao perguntarem para o Executivo do Three On The Bone - operação de Luxo impressionante de Shangai - porque a escolha de Giorgio Armani para o conceito da lojas com o seu life-style, a resposta foi que, para ele, Armani é o verdadeiro e único Imperador do Luxo.

A grata surpresa da Conferência se deu com a apresentação contagiante de Paul Smith! O empresário da moda - que até hoje se auto-entitula intuitivo, que criou um império na Inglaterra e no mundo, e que é aclamado aos quatro cantos do Japão - deu um show! Simpático e avesso a qualquer tipo de formalidade, o 'show men' - estilista - empresário mostrou a todos que é preciso ter sim "FUN"... e que é possível sim crescer não abrindo concessões, continuando a acreditar fortemente nos princípios da marca e entregando ao consumidor final operação de varejo que respeita- o que está ao lado: a cultura. Belo contraponto apresentado pelo Paul Smith! Eu me perguntava sobre isso ao longo deste dia da apresentação dele. Enquanto o mega-hypado arquiteto Peter Marino - o Deus da arquitetura do Luxo mundial - mostrava seus últimos feitos... um mais moderno que o outro... com uma impressionante apresentação da última loja Chanel que estava inclusive sendo aberta em Tóquio naquele dia - moderna e tecnológica... Paul Smith mostrava suas lojas ainda super britânicas, que sempre parecem muito mais casas de algum subúrbio inglês do que propriamente um mega centro tecnológico.

O que é melhor?
Sem entrar na questão do gosto pessoal... o melhor é poder fazer e ter espaço para tudo isso!

O LUXO mudou!
Esta foi a linha traçada pela Conferência!
Não adianta mais negar... não adianta mais fechar os olhos para essa constatação!
O LUXO mudou!
Muitos dos empresários de marcas consagradas não tiveram problemas em assumir que eles mesmos já não sabem mais o que é Luxo!

Continua... na próxima atualização do site!

Carlos Ferreirinha
Paul Smith e Suzy Menkes, durante a Conferência

Curtas

O BRASIL foi citado verbalmente por Suzy Menkes como o próximo destino do Luxo mundial... em seu speech inaugural da Conferência Mundial do Luxo... O todo poderoso Bernard Arnault também mencionou o BRASIL em sua palestra de abertura oficial do evento... Ambos comentaram que o Brasil vem demonstrando um movimento interessante neste mercado... neste segmento...

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Suzy Menkes, ao convidar Bernard Arnault para subir ao palco para proferir sua palestra oficial de abertura do evento, chamou-o de "O ÚLTIMO PRÓXIMO IMPERADOR DO LUXO MUNDIAL" - fazendo uma alusão ao filme "O ÚLTIMO SAMURAI". Ao final da palestra, da forma irônica e sarcástica que só ela consegue ser, Suzy perguntou ao Arnault se ele não acha que movimentos como o de Karl Lagerfeld, que está desenhando para a rede mundial de varejo H&M, não é também uma forma de FALSIFICAÇÃO! Arnault engasgou... engoliu em seco... e disse: "Não acho que eu devo falar em público o que eu disse para o Karl pessoalmente sobre o que acho deste assunto. Gosto muito do Karl, trabalha pra mim em Fendi, mas ele sabe bem minha opinião sobre isso".

Reprodução
 
Bernard Arnault, na Conferência
promovida pelo IHT, em Hong Kong

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Santo Versace assumiu ontem que a Versace será gerenciada por pessoas de fora da família. Decisão tomada pela sua sobrinha Allegra, que passou a ser a majoritária da casa Versace. Segundo ele, Allegra decidiu estudar e não cuidar diretamente dos negócios da família e também decidiu que estava na hora de a marca ter uma gestão distinta.

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Matteo Marzotto, dono do grupo Marzotto, que detém as marcas Valentino, Hugo Boss e Marlboro Classics... assumiu ontem em público que a marca Valentino vinha sendo terrivelmente gerenciada, que Valentino passou a ser apenas um Consultor da marca e não mais gestor e que a empresa tem que estar preparada... afinal, Mr. Valentino já tem 72 anos. Ou é isso ou isso!

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- Christian Blanckaert, Senior Vice-Presidente da Hermès, encarregado por Relações Internacionais da marca, disse contundentemente:
"Algumas poucas empresas/marcas irão continuar como LUXO. Muitas estão perdendo o foco. Uma verdadeira marca de Luxo não é um hotel com quartos para todas as pessoas, ou seja, como se fosse uma grande salada de Marketing!"
"O mundo do Luxo está cheio de mortos, cadáveres, imagens... marcas que se foram... erros, má gestão... e sucessos que desapareceram ao longo dos tempos!"
"A Hermès assume que a China será uma grande fonte de inspiração para a marca nos próximos 20 anos."

Reprodução
Christian Blanckaert, executivo da Hermès,
durante o encontro de Luxo