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Milionários americanos não se deixam seduzir pelo novo

Por Roberta Rossetto

O livro A Mente Milionária - Entendam Como Pensam os Ricos, de Thomas J. Stanley (editora Novo Conceito), é pra lá de interessante. Stanley é um estudioso do comportamento dos ricos americanos há mais de vinte anos e autor de várias obras sobre o assunto. Desta vez, o pesquisador formulou 277 perguntas, respondidas por 733 milionários americanos -- gente que tem patrimônio líquido igual ou superior a 1 milhão de dólares. O resultado impressiona: A maioria tem hábitos de consumo bem diferentes do que se imagina. Não é consumista e não se deixa levar pelos modismos. Boa parte vive em bairros tradicionais, em casas antigas, construídas nos anos 50 ou antes. Nada de mansões modernas, cheias de banheiras de hidromassagem, sauna ou sala de meditação. Viagens de férias para o exterior? Só a cada dois anos. E nenhum nunca gastou mais de US$ 41 mil num carro.

Stanley faz uma diferenciação entre "ricos na declaração de renda" e "ricos no balanço patrimonial". Entre os primeiros estão aqueles que ganham um dinheirão, mas não têm um patrimônio líquido compatível. Entre os segundos, objetos do estudo desse livro, estão os milionários que se preocuparam em formar um patrimônio líquido ao longo dos anos, através de uma carteira de investimentos ou reaplicação de dinheiro no próprio negócio. Para eles, o novo não é necessariamente melhor. Um carro do ano, por exemplo, não é melhor do que um modelo do ano anterior. "Pessoas de alta renda e pequeno patrimônio costumam deixar-se fascinar pelo novo", diz Stanley. Mas isso não acontece com os ricos no balanço patrimonial, como mostra a pesquisa.

Segundo o levantamento, apenas 8% dos ricos em patrimônio herdaram sua fortuna ou parte dela. A maioria é milionário por esforço próprio. Um em cada três é empresário e, entre os profissionais liberais, os mais freqüentes são os médicos e advogados. Na média, os entrevistados têm renda familiar anual de US$ 436 mil. Ainda assim, são comedidos nos gastos, pois pesam o custo benefício daquilo que consomem. Entre os 733 milionários entrevistados, 48% reformam regularmente os móveis em vez de comprar novos e 70% levam os sapatos ao sapateiro para um conserto ou colocação de um solado novo. No supermercado, 71% usam uma listinha de compras e praticamente todos compram mantimentos por atacado em lojas do tipo Sam's Club. Pão durice? Na verdade, não. Comprar no atacado, reformar móveis ou sapatos custa menos, mas também poupa tempo. E é isso o que interessa aos milionários, já que tempo é dinheiro.

A maioria dos milionários se diz disciplinada: estabelece as próprias metas e parte para alcançá-las. Eles criam seus próprios roteiros de vida e ninguém lhes diz a que horas levantar-se ou trabalhar. Determinam suas prioridades e a disciplina para regular a própria vida os faz diferente. Disciplina é o fator apontado por 57% deles como sendo um fator importante de sucesso. Somente 12% disseram que a sorte influenciou suas vidas.

A seguir, mais alguns dados interessantes da pesquisa de Stanley:

- Nenhum gastou mais de US$ 4.500 dólares num anel de diamantes de noivado e 7% herdaram o anel de um   parente, não tendo que comprá-lo;
- Nenhum gastou mais de US$ 38 num corte de cabelo
- 70% das esposas de milionários trabalham fora
- 90% eram alunos medianos e saíram da faculdade com nota média anual igual a 7,5 -boa, mas nada   excepcional
- 30% dizem que a prática faz a diferença, pois a pessoa aprende com erros e acertos

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