Se o olhar recai sobre a parte nobre da Zona Sul, o conjunto visual da cidade pode ser considerado harmonioso. Para quem é chegado a uma urbanidade total, claro. Aí se pode afirmar que existe uma São Paulo agradável e até muito bonita, em função da diversidade arquitetônica - dos belos exemplares de bons prédios públicos e privados de todas as épocas, especialmente das primeiras seis décadas do século XX. E também por causa do verde que o paulista insiste em inserir entre tanto concreto, das calçadas ajardinadas aos imensos parques.
Já que a topografia não traz mares e montanhas (estas ficam muito longe, ao fundo, e só podem ser apreciadas do ponto de vista de alguns bairros mais altos e, eventualmente, de prédios idem), a parte central da cidade se equilibra sobre um planalto sem grandes variações. À exceção mais visível da Av. Paulista, ponto de referência e divisor de águas entre regiões, entre o passado e o presente.
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O final do século XX e o início do XXI corroboraram novamente a importância da capital como centro financeiro do país, e o ramo imobiliário demonstrou bem isso. Com todas as tendências de estilo internacionais sendo seguidas nas construções, São Paulo lembra um pouco cada uma das cidades que os brasileiros consideram e reverenciam no exterior, como Nova Iorque e Miami, Paris e Milão. Seja nas fachadas ou nos interiores, o que bem se caracteriza nas lojas mais sofisticadas e restaurantes, cinemas e shoppings centers, além dos condomínios de altos edifícios.
Falando em arranha-céu - e ainda em tom de urbis globalizada e com forte carga publicitária/comercial/apelativa explícita, com grandes backs ou frontlights posicionados de forma extremamente visível -, aqui se pode ter Giselle Bündchen como vizinha até mesmo em bairro nobre, pelo menos em outdoor sobre um deles. Nesta valorizada cobertura, a imagem dela pode ser rapidamente substituída por Daniela Mercury, anunciando outro produto qualquer. Mas nem sempre os famosos nacionais estão nas ruas de São Paulo apenas através de suas imagens. Daniela Cicarelli, por exemplo, assim como Marília Gabriela e Paulo Autran podem ser seus vizinhos reais - já que grande parte da classe artística (de TV, teatro, cinema, música, show business em geral) habita a capital pelo mesmo motivo que tantas outras categorias profissionais: aqui há mais trabalho, Mais ocupação e mais emprego.
Falando em empregados: os domésticos sobrevivem perfeitamente bem em pleno século XX paulistano, são educados e caros. Nos ambientes mais bacanas, as discretas e eficientes copeirinhas imperam nos salões, cabelos presos em coques, repuxados para trás, vestidas em seus impecáveis uniformes pretos que levam à frente um pequeno avental branco, meias brancas ou pretas, sapatinhos que não fazem barulho quando andam dentro de casa ou nos salões de eventos sociais ou corporativos.
Na área do comportamento, sobrevive a tradição, mas com toques de modernidade: ricos e mais velhos em geral ainda se beijam nas duas faces ao se encontrarem e se despedirem. Jovens e classe média adotaram de uns anos para cá um beijo só - a mulher oferece a face direita para o homem. Beijos aqui são assim: rápidos e objetivos, quando não são dados por amigos mais chegados, que sempre se aproximam, peito contra peito, complementando-os com um abraço bem apertado. Tanto os beijos quanto os paulistanos - ou melhor, paulistas - que os praticam são assim quase internacionais.
Trata-se de uma cidade que não pára de criar modismos próprios, mas sempre com um tom blasé de quem não está fazendo absolutamente nada mais que seguir costumes de seus antepassados... Quer dizer: isto tudo, só na São Paulo Bacana!
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