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São Paulo Bacana I
Por Sergio Zobaran

Como descrever e o que mais dizer de uma cidade que a maioria dos brasileiros aponta e admira como "um outro país" (mais evoluído, importante, rico) e, ao mesmo tempo, acha feia, poluída, com menos qualidade de vida, e por isso mesmo repudia historicamente - inveja sem grande conhecimento, e à distância?

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Hotel Fasano

Apesar da reportagem do jornal, que aponta o paupérrimo e esburacado M'Boi Mirim - é, a sofisticada capital tem um bairro com este nome praticamente africano -, nas conversas entre amigos ouvem-se os elogios de cariocas que aqui vêm passar o fim de semana. Para fazer compras, de preferência as caras, comer bem - sem dúvida, em quase qualquer lugar -, ver exposições de peso que só acontecem (ou acontecem inicialmente) nos grandes museus e outros espaços culturais de São Paulo, e assistir bons espetáculos teatrais, especialmente os musicais, de ótima qualidade.

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Clube Chocolate na Oscar Freire

Afinal, parece a todos os brasileiros, pelo menos aos que ainda podem viajar e fazer essas quatro coisas aí acima, que São Paulo é a nossa Nova Iorque dos anos 1960 a 2.000: poderosa, agitada, efervescente, às vezes violenta, e aglutinadora de raças e culturas tão diversificadas, que se traduzem em variedade de hábitos e costumes, e que a tornam muito, muito interessante. Por herança e convivência das diversas colônias de ascendências distintas, especialmente européias e asiáticas, que aqui vieram dar - aliás, exatamente pelo mesmo motivo que hoje e sempre atraiu trabalhadores e visitantes nacionais à cidade - a possibilidade de progresso pessoal e o conseqüente dinheiro que efetivamente existe e circula (frase que mais se ouve quando se anuncia a decisão de migrar para SP: "tá certo, o dinheiro está lá!"). Todo o mundo, morador da vida inteira, ou caipira que para cá se mudou, ou mesmo o metido a novo-Paulista, todo mundo busca o vil metal neste suposto eldorado brasileiro ainda no século XXI.

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Edifício nos Jardins

São Paulo Bacana não se chama de Sampa. E paulistanos bacanas se denominam "paulistas", tout court. Apelidos monossilábicos - apenas com a primeira sílaba do primeiro nome - estão praticamente banidos. Ninguém é mané, e não se usam gírias como mano e véio. Aqui ninguém tá ligado ou aceita qualquer coisa na faixa. "Meu bem", "querido": o hábito do cumprimento com dois beijos no rosto persiste, e a boa educação é ponto essencial de partida para qualquer relacionamento. Neste mundo, a vida é bela e agitada, como a cidade em sua versão chique. Florida e arborizada. E poluída, claro.

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Sala São Paulo

São Paulo Bacana não tem nada de provinciana. Ao contrário: é cosmopolita, moderna, mega, internacional e brasileira ao mesmo tempo e, pasme: acolhedora, mas só para quem é - ou se organiza para ser - bacana como ela... Helicópteros barulhentos, assim como os aviões, sobrevoam as cabeças o tempo todo, e nada se comenta a respeito. Roupas de qualidade são artigos de "primeira necessidade", e jóias também, até porque usadas em qualquer ocasião. Morar bem e ser convidado, além de freqüentar bons lugares, são partes indispensáveis da convivência, assim como presentear e retribuir - sempre. Mas em qualquer aspecto deste life style de luxo, tradição não precisa mais rimar com quatrocentão.

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