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Os elementos da estética chinesa como estratégia de comunicação no varejo de luxo
Por Ana Paula Pinto

Quem não conhece a cidade de Hong Kong, ao chegar pode se questionar: estou na China? Considerando os letreiros em chinês, a imagem da China comunista é remota. Edifícios modernos, pessoas de todas as partes do mundo, lojas das principais grifes internacionais, custo de vida alto, ônibus e bondes de 2 andares no melhor estilo inglês.

Observa-se ainda o surgimento de uma classe média crescente e uma elite de milionários que almejam os padrões de consumo do Ocidente, rompendo com a visão estereotipada do cidadão de olhos puxados, trajando uniforme e chapéu de palha. É... a China de Mao se rendeu ao capitalismo, tornando-se um mercado pra lá de promissor no segmento de luxo. Segundo o Estudo do Consumidor Global da ACNielsen, os consumidores chineses se encontram em um período de gastos com satisfações pessoais como roupas, entretenimento fora de casa, tecnologias e consertos / reformas de casas.

Diferente do comunismo, a tradição cultural permanece firme e forte. Exotismo à parte, o ritual do Ano Novo Chinês entretém os olhares de quem assiste. As apresentações folclóricas, ornamentadas com leques, fitas longas e espadas proporcionam um encantamento indescritível. Repleto por códigos e símbolos, estes espetáculos fornecem elementos estéticos que podem ser transformados em um forte atrativo visual para o varejo de luxo.

O sucesso da conquista desse novo consumidor está justamente aí: estabelecer um link entre o desejo de consumo ocidental e o amor pela cultura chinesa. Em geral, o ponto-de-venda é o ambiente ideal para que isso aconteça, pois a intenção é promover uma interatividade entre o cliente, suas aspirações e a loja.

Atualmente, a ação de compra é uma celebração da satisfação e do prazer pessoal que facilita a definição de percepção do todo, produto, identidade da marca e ponto-de-venda, que são captados diretamente pelo inconsciente. O consumidor global quer ser entretido, divertido, encantado e, de forma sensorial, seduzido. Viva o emocional!

Na visão globalizada, os elementos da estética chinesa, como foco da estratégia de comunicação no ponto-de-venda, transcendem psicologicamente o conceito de espaço-tempo, mobilizando o interesse do consumidor local e dos turistas que visitam o país.

Que tal realizar uma experiência estética? Quem se recorda da cerimônia de encerramento dos Jogos de Atenas? Em especial, a apresentação oficial dos Jogos de Pequim 2008? O destaque fica por conta da coreografia sincronizada da dançarina chinesa sob a marcação suave das fitas vermelhas. Bem, alguém poderia perguntar: e daí? Basta perceber que esse elemento ornamental pode ter sido fonte de inspiração de uma grife Internacional, atuando como peça-chave na interação com seu público-alvo.

Reprodução

Assim é a estratégia de comunicação da Flagship do Emporio Armani, situado na Chater Road. Uma fita vermelha, de caráter escultural, serpenteia, descontrai e rompe com a monotonia do trajeto. A sensação é de que a energia flui no ambiente como se fosse o chi - "ar da vida" na filosofia chinesa. Mera viagem? Talvez sim, mas o importante é vivenciar a experiência. Esta é única e intransferível!

Outra fita surge, as duas se encontram e, ao centro, se entrelaçam, desenhando os espaços: lounge, bar, restaurante e foyer. Feitas em fibra de vidro, medem no total 105 metros de comprimento, 70 centímetros de largura e 8 centímetros de espessura. Uma delas, no restaurante, expressa a sua plasticidade, transforma-se em mesa e, logo adiante, em banco do bar. A experiência transpõe o âmbito visual e torna-se tátil.

É válido lembrar que, em 2008, a China como sede dos Jogos Olímpicos estará no ápice do seu momento favorável. Desta forma, independente do mercado financeiro, atrairá para si as atenções do mundo inteiro. Como sugestão, aquele que tiver a oportunidade de viajar, usufrua o momento tão especial, visitando esse templo do luxo.

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