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Azeite ao gosto do freguês: não basta o azeite ser puro, hoje em dia ele é personalizado
Por Priscilla Portugal

Foto: Priscilla Portugal

Quando se pensa em alimentaçao de luxo, especialmente em se tratando da produção francesa, vêm à mente o foie gras, o caviar, os vinhos e as trufas. Mas outra especiaria faz parte da chamada dieta mediterrânea, a culinária básica desse país: o óleo de oliva.

Países como Grécia, Espanha, Portugal, Itália e França dominam a produção mundial desse tipo de azeite e foi no sul da França (única região produtora do país) que conheci um " moulin à huiles"; ou seja, um moinho de óleos.

A visita começou com um passeio pelos antigos moinhos, onde o óleo era feito de modo artesanal: as azeitonas (colhidas na fazenda onde se encontra o moinho ou compradas na regiäo de Marseille) eram lavadas com água fresca e, depois de pressionadas para virarem uma espécie de suco, recebiam mais uma prensa e eram centrifugadas para que ocoresse a separação entre óleo e água.

No total, o processo - hoje reduzido ao uso de máquinas - durava duas horas. Hoje, tudo acontece de forma mais rápida, mas o custo ainda é grande: para se ter idéia, são necessários 100 kg de azeitonas para a elaboração de um litro de óleo!

Especiaria rica

É exatamente pensando em preservar os maiores produtores mundiais da cópia sem qualidade que já se fala em exigir a denominação DOC (de origem controlada) para os azeites.

Mas atualmente as pessoas não se contentam em consumir azeites de boa procedência, afinal eles apresentam diversas iguarias e nuances de sabor. Marie Pierne, responsável por conduzir os clientes na visita pelo interior do moinho, conta que estão na moda os óleos aromatizados nos sabores de laranja e alecrim. "De qualquer forma, o azeite é muito usado na Europa. Vendemos muito para hotéis e restaurantes de primeira classe e pode-se dizer que o óleo de oliva é hoje um produto alimentar de luxo".

Manjar dos deuses

Pode ser que os deuses gregos e romanos não degustem mais dessa maravilha, mas o luxo supremo acontece entre reis e estrelas do cinema: a possibilidade de produzir seu próprio óleo, com azeitonas cultivadas em sua propriedade e perfeitamente adaptadas a seu paladar.

Marie conta que reis árabes e belgas e alguns artistas fazem exatamente isso. " Eles trazem as azeitonas que mais lhe agradam e fazemos o óleo sob medida", explica. Se você ficou interessado, saiba que o quente clima brasileiro não é o mais apto para o cultivo das oliveiras e que elas podem render, na época da colheita (dezembro e janeiro aqui na França), entre 15 e 60 kg de azeitonas.

Quem não tem cacife para tanto, pode levar um dos óleos expostos na lojinha que se encontra ao final do passeio pelo moinho e que custam entre 15 e 42 euros o litro.

Um pouco de história

A cultura da oliveira remonta ao ano de 3.000 a. C. na Palestina, na Síria e sobretudo na Grécia. Atualmente, a Europa cultiva 650 milhões de oliveiras, o que representa 78% do total mundial. Em 1999, para se ter uma idéia, a Espanha produziu quase 792 toneladas de azeite. O consumo também é mais difundido na Europa. Um grego consome, em média, 19 litros de óleo de oliva por ano.

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