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Sonho de plebéias e princesas, a marca Cartier conseguiu manter o equilíbrio entre tradição e inovação
Por Priscilla Portugal

Reprodução
Louis-François Cartier
(1819-1904)

Em tempos de conglomerados, o maior medo do mercado do Luxo é que as marcas com tradição centenária percam sua personalidade. Não é o caso da Cartier.

Está certo, a marca faz parte do conglomerado de Luxo Richemond, que tem faturamento de $ 3,4 bilhões de euros e envolve 865 lojas, como MontBlanc, Chloé, DunHill, Van Cleef&Arpels e Baume&Mercier. Quem controla esse império é um grupo de investidores baseado na Suíça que lucrou, só em 2004, $ 296 milhões de euros.

Mas a marca preferida de reis e princesas mantém sua tradição e agrega ao nome Cartier elementos atuais, sempre antenados nas tendências para se inspirar aos produzir jóias inconfundíveis.

E você sabe como tudo começou? Há exatos 158 anos surgia em Paris uma marca de joalheria que entraria para a história: a Cartier. Em 1847 o joalheiro Louis-François Cartier assumiu o ateliê de seu mestre, Adolphe Picard e criou o logotipo LC. A loja, então, caiu no gosto da princesa Mathilde, prima do imperador Napoleão III e, mais tarde, encantou a imperatriz Eugénie que, em 1859, encomendara um serviço de chá em prata. Esse era o empurrãozinho que a marca precisava para ir cada vez mais longe.

Transmitido de pai para filho, o nome Cartier já era sinônimo de alta joalheria no final do século XVIII e esse prestígio não parava de crescer. Em 1902, o príncipe de Galles, futuro Eduardo VII, fez uma afirmação histórica ("Cartier: joalheiro dos reis, rei dos joalheiros") ao encomendar para sua coroação 27 diademas da marca. Dois anos mais tarde, o rei ofereceu à grife a primeira patente de fornecedor da corte real da Inglaterra.

A marca sempre desenvolveu pesquisas e teve a preocupação de inovar em materiais e formatos, mas também preza pelo estilo Cartier, que é considerado uma arte e tem um primor no acabamento das peças sem igual.

Na década de 70, sob a presidência de Robert Hocq, a marca ganhou um sopro de juventude e de modernismo. Nos anos 80, a direção de criação foi confiada a Micheline Kanoui e a presidência da Cartier SA ficou nas mãos de Alain-Dominique Perrin. Juntos, eles criaram a Collection Art de Cartier , constituída por peças históricas compradas ao longo dos anos.

Ainda falando em arte, Perrin fundou em 1984 a Fondation Cartier pour l´art contemporain , instituição que organiza periodicamente exposições de obras de estilistas e artistas contemporâneos.

Hoje, a Cartier está presente nos cinco continentes com mais de 230 lojas e perpetua, em pleno século XXI, um savoir-faire que começou no século XIX. No Brasil, os produtos da marca chegaram no começo da década de 70. Em 1997 foi inaugurada a primeira loja no país, em São Paulo. Depois, a loja do Rio de Janeiro e no mês passado, o espaço na Daslu.

Atualmente, além da alta joalheria, a Cartier produz relógios, perfumes, bolsas e acessórios em couro, óculos e isqueiros. Sua última coleção, Panthère, é inspirada no animal favorito da marca, mas apresenta uma releitura contemporânea, provocativa e sedutora. Puro Luxo!

Curiosidades

Graças a uma técnica revolucionária, a Cartier passa a usar a platina em sua joalheria, o que permite um acabamento sem igual nas peças de estilo grinalda.

A Cartier foi a marca que criou o primeiro relógio de pulso com pulseira de couro, feito sob encomenda para o aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont em 1904.

Em 1910, a grife produz um anel com o diamante azul Hope, de impressionantes 44 quilates.

O famoso anel Trinity (com três alianças entrelaçadas em três tons de ouro) foi criado para o artista plástico Jean Cocteau, em 1924.

Também é da Cartier o primeiro relógio à prova d'água do mundo, o Pasha , elaborado em 1933.

Em 1940, em uma Paris ocupada pelos alemães, o presidente francês Charles de Gaulle transmitiu alguns de seus discursos a partir do escritório de Jacques Cartier.

A coleção Meli Melo , de 2001, era à base de pedras brasileiras, como a água-marinha e a granada laranja.


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