| |

<< MATÉRIAS ANTERIORES
O Luxo que a capital consome
Por Marina Junqueira
Não é surpresa dizer que o brasiliense tem dinheiro para gastar com Luxo. Apesar de o universo da cidade girar em volta de funcionários públicos, a seleta categoria de empresários em Brasília consome com vigor. Tanto que Brasília ostenta o terceiro maior pólo consumidor do País, se levarmos em conta os 500 mil habitantes do Plano Piloto, que tem a maior renda per capta do Brasil. Isso indica que a cidade é um centro de consumo e não de criação. Logo, o foco são as multimarcas, que a cada ano se expandem e se multiplicam, principalmente no Lago Sul, o bairro dos ricos.
A mais antiga delas é a Casa Magrella. Também é a maior, a mais elegante e a que abriga joalheria, objetos de casa e antiquário. Nas araras, grifes nacionais de porte se dividem com a internacionais.
Sua maior concorrente é a Maison Ana Paula, a menos de um quilômetro de distância. Com um perfil mais descolado, mas não menos sofisticado, Ana Paula, a proprietária, vende Cavalli, André Lima, Carmelitas, Cris Barros-Wardrobe, Reinaldo Lourenço e domina o mercado dos jeans grifados, como Diesel, Seven, Paper, Citizens. Suas consumidoras estão entre os 20 e 40 anos e adoram o modelito basic chic . Para ambas as marcas, preço não é um item que incomode as clientes.
No segmento um pouco mais moderno, com perfil de consumidoras que querem mostrar personalidade por meio do figurino, uma opção são as peças da Virgem Maria!, com dois anos de mercado. Segundo Poliana Abritta, uma das três sócias, "elas têm a partir de 22 anos e conservam o espírito jovem mesmo depois dos 40". A maioria trabalha e compra as peças com o próprio dinheiro. A loja oferece um café num espaço bem agradável, que serve de refúgio para os maridos. O mix atende a diversos estilos: Daniella Martins, Maria Garcia, Huis Clos, Francesca Giobbi, Marisa Ribeiro, Taís Gusmão, num total de 18 marcas, além de livros e objetos de casa vindos do Nepal e de Bali.
A mais nova a entrar no mercado do Luxo é a Galeria, de Cláudia Fittipaldi e Paula Santana. Prestes a completar um ano de loja, a Galeria é a mais particular delas. As donas fazem ampla pesquisa em busca de novos talentos, o que dá uma atmosfera bem diversificada no mix de marcas premium , que chega a 30. "A proposta é não repetir peças. Gostamos da idéia de customizar a cliente e dar-lhe a segurança para aderir ao movimento que o mundo incorporou... o high low , onde não é necessário estar totalmente grifada para ser bem-vestida. A bossa é misturar com harmonia", diz Paula Santana. A Galeria tem dois públicos distintos. A classe AA, com idade entre 25 e 40 anos, com muita informação de moda. Elas buscam identidade e querem sair da mesmice. Mas entre os compradores da Galeria também estão artistas e intelectuais de classe média-alta, além de uma extensa gama de estrangeiros que se encantam com os handmade que a loja oferece. Entre tantos, Ronaldo Fraga, Sommer, Samuel Cirnansck, Erica Ikezili, Fábia Bercsek, Simone Nunes e Adriana Bittencourt. As sócias também abrem espaço para os criadores locais e as artesãs do Sebrae. Mas o fenômeno do momento é Isabela Capeto com clientes fiéis, que vão à loja apenas para comprar suas criações sem questionar preço.
Em comum, as lojas recebem suas clientes com uma boa periodicidade. Cerca de uma vez por mês. E elas gastam em média R$ 1 mil por compra. E mais: ficam ressentidas quando as vendedoras não ligam para dizer que chegaram peças novas.
<< Voltar
|
|