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Luxo avança para o interior
Por José Celso Fiuza Filho, de Tatuí
Consumo mimético, "mastígio" (massa mais prestígio - nova estratégia de marketing adotada por famosas marcas para atender ao prestígio que exercem sobre consumidores de marcas) e relacionamento são as estratégias fundamentais do modelo do negócio do Luxo em cidades que se iniciam no refinado e doloroso prazer deste que se tornou o segmento mais discutido no Brasil nos últimos dois anos.
O que poderíamos entender como desejo de consumo para um cidadão de classe média de uma cidade de 100, 200,300 mil habitantes ? Será que o universo do conhecimento de marcas de produtos e serviços existentes no imperativo planeta consumo já os fisgaram?
As respostas para tais indagações estão amarradas ao desenvolvimento do segmento do setor como um todo no País. Primeiro vem o conhecimento (mídia falada e escrita), em seguida o formador de opinião ou pessoa reconhecida localmente por seu sobrenome ou carreira de sucesso, e então, o desejo de se parecer ou pertencer à essa condição de reconhecimento na sua comunidade .
Parece quase poético mas não é. Diante das aspirações dessas pequenas comunidades de consumo, deve-se considerar a falta de conhecimento e cultura necessários à geração da intenção de compra frente a uma renda discricionária ainda sob os efeitos da "poupança", que gera o conforto e a segurança para uma vida mais estável.
Então estamos frente ao paradoxo do Luxo mais uma vez!!! Nossos potenciais clientes já estão prontos para gastar, porém não o suficiente para a manutenção precisa dos detalhes absolutamente necessários para a concepção do Luxo enquanto negócio.
"Mastígio".Como uma licença ao suntuoso e proibitivo Luxo tradicional, este conceito revela em seu conteúdo as características do comportamento de consumo de pequenas cidades. São produtos; roupas, carros, jóias, utilidades e presentes , serviços; hotéis, restaurantes, boates que trazem consigo os códigos do Luxo em seu DNA , porém com preço e acesso estabelecidos de acordo com a localidade inserida.
Estas operações, ainda que discretas e se profissionalizando gradativamente, já têm em seu currículo o respeito detectado pelas mídias regionais, que por sua vez já demonstram interesse pelo segmento.
Consumidor: Como mencionado no início, estamos no estágio do conhecimento, aquela situação que nos leva as indagações como: será que eu devo gastar tudo isso mesmo que eu não tenha onde usar? Será que a falsificada que eu vi em tal lugar não faz o mesmo impacto, acho que tudo está muito caro!!!!!!! , ou, eu quero, não importa quanto custe !!!!
Ela estava lá, então eu também vou.....enfim, o Luxo - enquanto principal motivo de aquisição de identidade - é trabalhado ainda sob a forma de venda de status e estratificação social. Entretanto, esta não é uma visão pessimista do negócio, esta é a condição real que na verdade é o inicio da escalada rumo ao estabelecimento sustentável do Luxo que, agora bem mais democrático, aceita de Amex até dinheiro enrolado no saquinho de pão.
LUXO sem preconceito, sem fronteiras, e em até cinco vezes!
A loja multimarca Picida, em Tatuí, interior de São Paulo, está voltada para o mercado prestigioso de marcas e produtos - na maioria deles vestuário - com área destinada a sais de banho e cuidados para a pele, contemplando também dois cafés como instalação de apoio e gerador de bem-estar e conforto para uma estadia (experiência) mais gratificante na loja.
Esta loja é um bom exemplo para evidenciar traços de "mastígio" envoltos por uma atmosfera de refinamento e sutil ostentação. Reconhecemos em sua arquitetura detalhes que sugerem uma loja de acesso restrito e exclusivista. Porém, quando em contato com sua rotina de processos, percebemos que toda essa pompa é traduzida em vendas de produtos que trafegam entre os exigentes consumidores do velho Luxo, como também despertam desejo aos destemidos clientes do prazer momentâneo e "social climbers" .
Primeiro pelo mix de produtos , Maria Bonita Extra dividindo espaço na arara com Diesel, que esbarra em LeLisBlanc, que usa sapatos Picida e chapéu Chocolate. São mais de 30 marcas acolhidas em 1000 m de área de venda.
Outra consideração bastante importante seria a famosa "caderneta" ou "fiado", isso mesmo, como em uma padaria ou boteco da esquina. Esta maneira bem humorada de se referir aos recebimentos é de relevância fundamental para o fLuxo de caixa quando se tem 25% de seu faturamento dentro deste produto. Em cidades como Tatuí, o grau de relacionamento do cliente com a loja ultrapassa os limites de uma simples transação comercial. É o fino trato, o mimo, a ligação semanal, o contato com o estilo de vida completo dos clientes, é o raio x completo do guarda roupa da pessoa que traduzira a boa ou má performance do negócio.
Em terras onde indústria e agricultura sempre foram as grandes frentes de negócio, o Luxo se apresenta como uma possibilidade real de geração de emprego e riqueza.
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