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No dedo um falso brilhante....

Por Silvio Passarelli

Brincos iguais ao colar, ouço tua voz murmurando, são dois pra lá, dois pra cá. Enganam-se os que imaginam que, na onda da nostalgia, faremos um mergulho saudosista nos versos de João Bosco e Aldir Blanc.

Nossa reflexão é, acreditem, muito menos poética, e procura abordar um dos aspectos mais polêmicos da segmentação do Luxo: a falsificação.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a questão da falsificação não é um problema local. Muito pelo contrário. É um fenômeno mundial e afeta quase todas as marcas do segmento em todos os países do mundo.

Até os nossos vizinhos da América do Norte, com a seriedade que lhes é peculiar na condução dos negócios, "toleram" a existência de centenas de estabelecimentos cujo estoque é constituído basicamente por produtos falsificados, no coração de Nova York, apenas para citar um exemplo.

Neste debate sobre a questão da falsificação, é possível perceber uma série de subgrupos, cada qual com argumentos que vão do racional ao exótico, do emocional ao pitoresco.

A importância do tema sugere que, lenta e gradualmente, possamos discutir com os nossos leitores os principais argumentos de todos os subgrupos, para que se vá criando entre as pessoas interessadas um esclarecimento sobre o tema e um juízo de valores que possa, no futuro, desaguar em algum comportamento coletivo.

Hoje, gostaria de ressaltar o principal argumento de dois subgrupos muito interessantes: os da VALIDADE MACROECONÔMICA E OS INDIGNADOS IMPOTENTES.

O grupo da chamada VALIDADE MACROECONÔMICA é muito perigoso, pois explica todas as ações humanas a partir de suas conseqüências sobre o conjunto da economia. Segundo estes, os falsificadores são empreendedores.

Geram empregos, movimentam a economia, compram matérias-primas (de qualidade duvidosa) e, em alguns casos, até pagam impostos. Não entram em considerações éticas, morais e legais.

Na esteira deste tipo de argumentação, amanhã, estaremos aceitando todos os crimes, as guerras, a corrupção etc..., desde que não afetem a equação MACROECONÔMICA.

O grupo dos INDIGNADOS IMPOTENTES possuem um discurso mais bem acabado, condenam as ações de falsificação em todos os planos, mas, exauridos pelo discurso, declaram-se impotentes para ações conseqüentes. Para justificar a apatia, creditam a inércia a mitos, organizações secretas sediadas em terras longínquas, ligadas a toda a sorte de atividades ilícitas. Violentas, perigosas...

Como se pode perceber por este pequeno aperitivo, o problema é muito mais sério do que se pode supor. E, por acreditar que o maior patrimônio de uma organização é a sua marca, e que negócios só podem ser realizados dentro do tripé da ética, da moral e da lei, faremos do site "Gestão do Luxo" uma trincheira na luta contra a falsificação.

Novas batalhas virão. Aguardem...

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